Sabine Cassol

Os três porquinhos

Publicado por: sabinecassol em: 10/01/2010

Uma versão politicamente correta adaptada aos novos tempos.

Era uma vez três porquinhos que viviam juntos, unidos pelo respeito mútuo, e em harmonia com o meio ambiente.
Usando materias nativas daquela região, cada um deles construiu uma linda casa. Um porquinho construiu uma casa de palha, outro uma casa de madeira, e o terceiro uma casa de tijolos feitos com fibras naturais e rampas para deficientes físicos na calçada. Quando terminaram os porquinhos ficaram satisfeitos com o seu trabalho e instalaram-se para viver em paz e autonomia.
Mas esse idílio foi logo quebrado. Um dia lá se veio um lobo com idéias expansionistas. Viu os porquinhos e ficou faminto, tanto no sentindo físico quanto no ideológico.
Quando os porquinhos abriram a porta o lobo anunciou: “É a pizza!”
Mas os porquinhos responderam:”Não comemos pizzas. Pizzas são gordurosas e têm muito amido, o que vai contra qualquer dieta saudável.”
“Mas é pizza diet!” retrucou o lobo.
Revoltados com a propaganda enganosa, os porquinhos bateram a porta na cara do lobo, que, enfurecido, gritou: “Porquinhos, porquinhos, deixem-me entrar!”
E os porquinhos responderam: “A sua tática de ataque não mete medo a porquinhos que defendem o seu lar e a sua cultura.”
Mas o lobo não desejava frustrar o que considerava ser seu destino manifesto. E assim ele soprou e bufou e pôs abaixo a casa de palha. O porquinhos, aterrorizados, correram para a casa de madeira, com o lobo logo atrás deles. no lugar da casa de palha, outros lobos compraram a terra e iniciaram uma plantação de bananas, usando indiscriminadamente pesticidas e fertilizantes químicos.
Na casa de madeira, o lobo esmurrou a porta e gritou: “Porquinhos, porquinhos deixem-me entrar!”
E os porquinhos responderam: “Vá para o inferno, seu opressor carnívoro, seu imperialista!”
Ouvindo isto o lobo sorriu e pensou: “Eles são tão infantis. É uma pena que tenham que morrer, mas não se pode deter o progresso.”
E assim o lobo pôs abaixo a casa de madeira. Os porquinhos correram para a casa de tijolos. No lugar da casa de madeira, outros lobos construiram um complexo turistico de trinta andares, desrespeitando a área protegida da região.
Na casa de tijolos, o lobo novamente gritou: “PORQUINHOS, DEIXEM-ME ENTRAR!”
Desta vez, como resposta, os três cantaram canções de solidariedade e enviaram cartas de protesto às Nações Unidas.
Nesta altura, o lobo estava a ficar zangado com a recusa dos porquinhos em encarar o problema e pelo ponto de vista de um carnivoro. Então, ele soprou e bufou, soprou e bufou, até que segurou o peito e caiu fulminado com um infarte causado por colesterol alto, vida sedentária e excesso de cigarros.
Os três porquinhos rejubilaram, pois a justiça triunfara, e dançaram em volta do corpo do lobo. O próximo passo foi libertar o território ocupado. Reuniram porquinhos que tinham sido expulsos das suas terras e, juntos, exigiram a intervenção do exercito que cercou o local e, sem o uso da força, invadir lares, ou desrespeitar os direitos dos lobos trabalhadores, acabou com o crime organizado. Os porquinhos estabeleceram uma social-democracia modelar com educação gratuita, seguro de saúde para todos e, é claro, financiamento da casa própria.

Nota: O lobo deste conto é apenas uma metafora, Lobos verdadeiros não foram molestados nem sofreram danos físicos no decorrer da história.

Autor desconhecido.

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